sexta-feira, 25 de março de 2016

Patrono da Capoeira Brasileira ao Sr. Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba.” - Mestre Gavião



Deputado Fábio Faria, escreveu em seu parecer bela defesa da homenagem, 
com a qual eu não poderia deixar de concordar, e cujo texto transcrevo abaixo: 
“Desde o final do Século XIX até os anos 30 do século 
passado, a Capoeira era considerada luta ilegal, passível de punição pelo 
Código Penal, discriminada como coisa de malandro. Simples exercícios na rua 
poderiam provocar até seis meses de prisão. 
Nascido em 1900, no bairro de Engenho Velho, na cidade 
de Salvador, filho de um campeão de batuque, espécie de luta livre comum na 
Bahia do Século XIX, e iniciado na Capoeira Angola com um negro africano 
conhecido como Bentinho, Mestre Bimba, em suas próprias palavras, “tirou a 
capoeira debaixo do pé do cavalo”, ao criar uma nova vertente da luta, 
conhecida como Capoeira Regional, ao lado de um inédito sistema de ensino, 
com direito a exame de admissão, batizado, formatura e curso de 
especialização; e um rígido código de ética. Contava que não queria vadios, 
malandros ou vagabundos em sua academia, pessoas que para ele haviam 
causado muitos danos para a imagem da luta. Por isso só admitia alunos que 
fossem trabalhadores ou estudantes. 
Como resultado, a Capoeira começou a ganhar na época 
alunos da classe média branca, aos quais se juntaram muitas personalidades 
da vida política e social da Bahia. Por meio de algumas delas, Bimba 
conseguiu demonstrá-la no Palácio do Governo, na época sob o comando de 
Juracy Magalhães, e até ao Presidente da República Getúlio Vargas, que a 
admirou como “esporte verdadeiramente nacional”. Pouco tempo depois desse 
episódio ela era legalizada. Hoje, o Estatuto da Igualdade Racial, Lei nº 12.288, 
de 2010, reconhece a capoeira como desporto de criação nacional, nos termos 
do art. 217 da Constituição Federal. 
O “grande rei negro do misterioso rito africano” avançou 
também na valorização da Capoeira frente as lutas de origem estrangeira e, 
portanto, na defesa de nosso patrimônio cultural e desportivo. Acreditava que 
ela tinha de se renovar para não ser engolida pelas “lutas gringas”, como o 
boxe americano ou o judô, japonês, populares nas décadas dos anos 30 e 40 
do século passado. Para isso desafiou todas essas lutas, quando consagrou-se 
como primeiro capoeirista a vencer uma competição no ringue, e iniciou uma 
sequência de viagens pelo Brasil para divulgar a Capoeira Regional. 
A nobre Senadora Lídice da Mata, autora da matéria 
quando exercia o mandato de deputada federal, arremata sua Justificação com 
um parágrafo muito acertado, o qual reproduzimos a seguir: 
“Mestre Bimba, negro, iletrado e pobre, não só 


venceu os preconceitos da sociedade baiana do início do 
século, como foi mestre também na afirmação social da 
cultura e do seu povo.” 
Nosso parecer não poderia ser outro senão o de apoiar a 
atribuição do título de Patrono da Capoeira Brasileira ao Sr. Manoel dos Reis 
Machado, o Mestre Bimba.” 
Diante do exposto, voto pela aprovação do Projeto de Lei 
nº 5.222, de 2009, da Sra. Lídice da Mata, e pela rejeição do Projeto de Lei nº 
50, de 2007, do Sr. Neilton Mulim, e do Projeto de Lei nº 2.858, de 2008, do Sr. 
Carlos Zarattini. 
Sala da Comissão, em de de 2014. 
Deputado ANDRÉ FIGUEIREDO 
Relator 

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