quarta-feira, 17 de abril de 2013

CONTRIBUIÇÕES DO GTCAPOEIRA E EDUCAÇÃO -PRO-CAPOEIRA 27,28 E 29 DE OUTUBRO DE 2010 - Mestre Gavião


CONTRIBUIÇÕES DO GTCAPOEIRA E EDUCAÇÃO
 Este documento apresenta os resultados dos debates desenvolvidos pelo Grupo de Trabalho Capoeira e Educação do Encontro Regional do
Programa Nacional de Salvaguarda e Incentivo a Capoeira, realizado durante os dias 27, 28 e 29; de outubro de 2010, na cidade do Rio de
Janeiro. Os Grupos de Trabalho foram organizados a partir de eixos temáticos, com o objetivo de fomentar debates, reflexões e formulação de
um diagnóstico das demandas do campo e de possíveis propostas de ação para a implementação do Pró-Capoeira, considerando a amplitude das
interfaces da capoeira com a sociedade. O GT Capoeira e Educação contou com a participação de capoeiristas das regiões Sul e Sudeste e a
presença de representantes da Fundação Cultural Palmares e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para contribuir
com a dinâmica dos encontros. As proposições sistematizadas neste documento são resultado dos debates realizados pelos participantes do GT.
ÁREAS TEMÁTICAS SITUAÇÕES PROBLEMA SITUAÇÕES SUGERIDAS 
CAPACITAÇÃO E FORMAÇÃO 
 Falta de capacitação dos capoeiras em
elaboração e desenvolvimento de projetos
e indefinição quanto aos responsáveis
pela realização destas capacitações.
 Preparação para trabalhar com a nova
fase de institucionalização/formalização
da capoeira na educação.
 Falta de capacitação do corpo docente das
escolas em relação aos saberes da
capoeira enquanto manifestação cultural.
 Rever a relação entre capoeira e escola
pública, já que em escolas privadas há
remuneração para os capoeiras.
 Ausência de critérios para contratação de
mestres de capoeira. É preciso entender
 Capacitação para os capoeiristas em
elaboração e desenvolvimento de
projetos que podem ser viabilizadas
pelo Estado.
 Criar meios (políticas públicas e leis
específicas) com objetivo de viabilizar
as demandas de inserção dos
capoeiristas nas escolas.
 Curso de instrumentalização para o
aperfeiçoamento de técnicas de
ensino/transmissão da Capoeira como
expressão cultural e não apenas como
técnicas de luta.
 Inserção do mestre nas escolas
públicas e universidades, participando as modalidades de oferta (optativas ou
obrigatórias) da capoeira em cada espaço.
 Ausência de critérios para definição de
quem pode dar aulas de capoeira.
da formação continuada de
professores.
 Criar a licenciatura em capoeira (existe
dança e música). Seria um curso
interdisciplinar: geografia, história da
áfrica, Psicologia, etc. O curso deve
ser oferecido preferencialmente para
capoeiristas.
 O MEC deve reconhecer/certificar o
capoeirista como educador.
PROFISSIONALIZAÇÃO  Falta de vínculo empregatício com
instituições de ensino.
 Federalização associada à
profissionalização da Capoeira.
 Demanda crescente da prática da capoeira
está gerando a rápida
“profissionalização” de pessoas
geralmente desqualificadas para atuar em
escolas.
 Ausência de espaços de articulação e
discussão entre os capoeiristas.
 Criação de um Fórum Nacional sobre
“Capoeira e Educação” para
aprofundar temáticas específicas
(políticas públicas, licenciatura,
inserção da capoeira na escola,
capoeira infantil, relação da capoeira
com a Educação Física, capoeira como
manifestação cultural, etc). Essa ação
deve ser financiada por ministérios e
outras organizações afins.
 Criação de fóruns virtuais para
articular as discussões feitas nos
encontros regionais sobre “Capoeira e
Educação”.
 Participação, nos encontros regionais,
de representantes dos ministérios
(educação, esporte, etc) que possam
responder pela totalidade das políticas
públicas.
 Criação de um fundo da Capoeira.  IPHAN deve viabilizar a participação
de um número mínimo de pessoas de
cada GT para participação no Encontro
Nacional.
 Apoio do IPHAN, MINC e MEC para
realização dos fóruns.
 Formar (no encontro Pró Capoeira)
uma comissão de cinco ou seis pessoas
para construção do Fórum Capoeira e
Educação.
POLÍTICAS PÚBLICAS
/IMPLEMENTAÇÃO DA LEI
10.639/03
 A lei 10.639/03 ainda não foi
implementada no território nacional. Não
apenas em relação à capoeira, mas
também no que se refere a outras
manifestações afro-brasileiras.
 Ainda existe preconceito e discriminação
dentro das escolas, mesmo depois da
instituição da lei 10.639/03.
 As escolas enfrentam dificuldades para
discutir e implementar a referida lei, já
que não compreendem as leis que dizem
respeito ás questões negras.
 Intolerância religiosa e étnico-racial nas
escolas e nas comunidades, como por
exemplo, a proibição do uso de certos
instrumentos típicos da capoeira em
espaços escolares.
 Preocupação com a metodologia do
ensino da capoeira para crianças.
 PCNs e a inserção de conteúdos
 Respeitar a organização e tempo de
implementação correta dos processos.
 Convocação de outros parceiros para a
constituição dos fóruns. IPHAN e os
capoeiras de outras regiões.
 Utilizar as diretrizes do MEC para
inserção da capoeira nas escolas, por
meio da lei 10.639/03 e promover a
discussão sobre a lei específica da
capoeira.
 Identificar mecanismos de auxílio para
escolas que cumprem a lei 10.630/03 e
definir punições para as instituições
que não implementaram nenhum tipo
de ação.
 Formação continuada nas escolas
sobre a cultura negra, como forma de
subsidiar a discussão sobre a capoeira.
Discutir a lei 10.639/03 com
professores e gestores no âmbito da relacionados à capoeira.
 Ausência de literatura que relaciona a
educação infantil e a capoeira.
 Independência da capoeira em relação à
Educação Física.
capacitação.
 Divulgação de projetos e ações
implementadas com base na lei
10.639/03 para auxiliar no efetivo
cumprimento da lei em outras
instituições.
 Criação de banco de dados sobre
experiências com capoeira e educação.
 Criação de centros de referência em
cada estado Nesses centros seriam
disponibilizados bancos de dados
(virtual e material) e materiais de
referência sobre a capoeira.
 Que a capoeira entre nos plano político
pedagógico das escolas juntamente
com outras manifestações das culturas
populares.
 Regulamentar a questão da competição
na capoeira como modalidade de
competição dentro de jogos escolares.
 Curso de instrumentalização da
capoeira aos mestres de capoeira e
para professores de educação física,
para auxiliar na relação entre saber
formal e não formal.
 Elaboração de edital público com
comissão interdisciplinar para
reconhecimento do notório saber.
 Inserção dos velhos mestres nas
escolas. CAPOEIRA ENQUANTO
VEÍCULO EDUCACIONAL
 Necessidade de identificar e reconhecer
os mestres.
 Exclusão de mestres de capoeira dos
espaços de educação formal, pelo fato de
não possuírem formação acadêmica.
 Desequilíbrio no tratamento de capoeiras
em função da formação acadêmica.
 Desrespeito aos valores, rituais e
princípios.
 Predominância da capoeira esportiva nas
escolas e na sociedade;
 Indefinição quanto à forma de
aproximação entre a capoeira e a
educação formal.
 Falta de apoio do Estado no processo de
inserção da capoeira nas escolas públicas.
 Criação de seminários itinerantes em
diversos estados para discutir a
formação do profissional em capoeira,
promovendo diálogo entre os mestres e
professores.
 Diálogo entre o Estado e as bases para
discussão das questões relacionada à
capoeira.
 Fiscalizar as escolas com relação aos
profissionais que atuam com capoeira.
 Promover cursos de formação
continuada, com mestres de capoeira,
para capacitar professores que atem
em projetos escolares.
 Mapear iniciativas de inserção e
diagnóstico da implementação da
capoeira nas escolas.
 Inserção das formas tradicionais de
transmissão dos saberes e valores
relativos à capoeira no âmbito da
educação formal.
 Integração com pontos de cultura.
 Criação de convênios entre escolas e
associações de capoeiras, a exemplo
dos editais feitos com os pontos de
cultura.
 Divulgar informações sobre as
modalidades de capoeira (Regional e
Angola) de forma equilibrada.  Criação de cursos de extensão nas
universidades sobre a capoeira.
 Esclarecer as interfaces entre
Educação Física e Capoeira.
 Exigir que a Capoeira seja disciplina
obrigatória dos cursos de graduação
em Educação Física.
 Inserir mestres da cultura popular com
notório saber no ensino superior.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.